Conexão no STJ: STF investiga se senador Weverton Rocha articulou blindagem em caso de homicídio no Maranhão

g1.globo.com
Conexão no STJ: STF investiga se senador Weverton Rocha articulou blindagem em caso de homicídio no Maranhão


Senador Weverton Rocha
Waldemir Barreto/Agência Senado
Um inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apura se o senador Weverton Rocha (PDT- MA) atuou para tentar atrapalhar as investigações de um assassinato ocorrido em 2022 no Maranhão.
A suspeita é que ele tenha contado com o auxílio de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A Polícia Federal (PF) localizou no celular do senador contatos com o ministro Humberto Martins, do STJ, que era relator do homicídio porque havia indícios de envolvimento no caso de um integrante do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), que tem foro especial perante o STJ (entenda o caso mais abaixo).
Em 2024, a Justiça maranhense condenou Gilbson Cutrim Soares Júnior pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho.
As investigações iniciais, feitas pela Polícia Civil do Maranhão, concluíram que Gilbson Júnior matou o empresário após um desentendimento pessoal. Mas, posteriormente, surgiu a suspeita de que o motivo era a divisão de propinas no estado, em um esquema que envolveria o grupo do governador Carlos Brandão.
Um sobrinho do governador, Daniel Brandão, que hoje é presidente do TCE-MA, teria participado da reunião em que houve um desentendimento sobre a divisão das propinas que acabou com Gilbson Júnior baleando o empresário João Bosco.
Essa informação, segundo apurações posteriores da PF, foi omitida da investigação inicial feita pela Polícia Civil.
A PF pediu que Gilbson Júnior fosse transferido por correr risco no estado. Em junho de 2025, o ministro Humberto Martins decidiu pela transferência para a Penitenciária Federal de Brasília.
“A análise do material extraído do aparelho celular de Weverton Rocha revelou a existência de comunicações diretas com o Ministro do STJ, Humberto Martins, mantidas de forma reiterada entre 25/01/2023 e 04/10/2025. De acordo com a análise, esses contatos ocorreram por meio de diferentes canais, sendo identificadas mensagens de texto, áudios, ligações telefônicas e compartilhamento de mídias, a partir dos terminais vinculados a ambos”, afirmou a PF. 


A PF disse que um dos contatos entre Weverton e o ministro Humberto Martins ocorreu no dia 2 de junho 2025, data da transferência de Gilbson Cutrim.
A suspeita é que o senador Weverton tenha atuado, junto com outros investigados, para evitar que as investigações alcançassem o grupo político e familiares do atual governador do estado Carlos Brandão.
O senador é investigado no inquérito no STF. O ministro Humberto Martins não é alvo do STF.
Suspeitas PF sobre a atuação de Raimundo Cutrim
A PF também investiga a atuação de Raimundo Cutrim, ex-secretário do Maranhão e que está em prisão domiciliar neste caso. Ele foi alvo esta semana de uma busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a pedido da PF, que o aponta como informante de um jornalista que é investigado por perseguir o ministro Flávio Dino.
Segundo a PF, no caso do assassinato, Raimundo Cutrim teria agido para garantir silêncio absoluto sobre a suposta participação de agentes públicos e de integrantes da família do governador. Uma espécie de contrainteligência.
Ele teria teria repassado cerca de R$ 160 mil em espécie a familiares do assassino para alterar depoimentos.
“Segundo o relato, o montante teria sido fracionado em três parcelas, R$ 80.000,00, R$ 50.000,00 e R$ 30.000,00, sendo os valores entregues no imóvel vinculado a Raimundo Cutrim, situado no bairro Vinhais, São Luís/MA”, disse a PF.
As investigações da PF apontam Raimundo Cutrim como um dos principais nomes da suposta organização criminosa que atuava em contratos do governo estadual do Maranhão. Ele é aliado do governador Carlos Brandão.
Ainda de acordo com a PF, há um “ecossistema empresarial criminoso” que envolve a cúpula do governo do Maranhão e supostos crimes de corrupção, desvios de emendas parlamentares, coação de testemunhas e obstrução de Justiça.
Entenda o caso
O caso envolve o homicídio, em 2022, do empresário João Bosco Sobrinho. Gilbson Cutrim foi considerado executor do crime pela Justiça do Maranhão e condenado a 13 anos de prisão.
Gilbson Júnior resolveu colaborar com as investigações. Seu pai, Gilbson César Soares Cutrim, passou então a ser procurado por Raimundo Cutrim, ex-secretário estadual e integrante do grupo político do governador Brandão. Há uma gravação ambiental de uma conversa entre Gilbson (pai) e Raimundo Cutrim que foi entregue à Justiça pela defesa de Gilbson.
Nessa conversa, Raimundo Cutrim pediu ao pai do condenado que fizesse o filho mudar seus depoimentos para retirar das investigações a família Brandão, segundo a investigação. Raimundo Cutrim teria oferecido "vantagens, dinheiro e casas" para "tirar o nome do Daniel [presidente do TCE-MA] e do pessoal da família Brandão" dos depoimentos.
Caminho das investigações
O caso do assassinato saiu da esfera estadual e foi para o STJ depois que surgiram indícios de envolvimento de Daniel Brandão, por ser membro do Tribunal de Contas. Depois, seguiu para o STF porque a defesa do executor, Gilbson Júnior, apontou suspeitas contra o senador Weverton Rocha.
Como parlamentar federal, ele tem foro no Supremo. O processo foi sorteado para o ministro Flávio Dino relatar.
Weverton já havia alvo de busca e apreensão em outra investigação, a Sem Desconto, sobre as fraudes no INSS. Como seu telefone celular tinha sido apreendido, o ministro André Mendonça, relator do caso do INSS, compartilhou com Dino as mensagens apreendidas. Foram então encontrados os contatos de Weverton com o ministro do STJ Humberto Martins.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.