'Dark Horse' foi filmado no Brasil de forma irregular, segundo Ancine

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'Dark Horse' foi filmado no Brasil de forma irregular, segundo Ancine


Jim Caviezel no pôster de 'Dark Horse'
Reprodução/Instagram/therealjimcaviezel
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) abriu um processo administrativo contra a produtora Go Up Entertainment por irregularidade na gravação do filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Em nota enviada ao g1, a agência afirmou que foi apresentada denúncia dando conta da "produção, em território brasileiro, de obra audiovisual estrangeira sem a prévia comunicação à agência", o que é irregular.
Ainda de acordo com a Ancine, foram realizadas duas tentativas frustradas de contato com a Go Up para esclarecimentos.
"Nos casos de obras estrangeiras filmadas no Brasil, é preciso que a ANCINE seja comunicada. Situação que não ocorreu no caso do filme 'Dark Horse'", diz a nota (confira o comunicado completo no final deste texto).
Agora no g1
Foi aberto um auto de infração para apuração, e a produtora agora precisará apresentar defesa.
O g1 entrou em contato com a Go Up Entertainment, mas não obteve retorno até a conclusão desta reportagem. O espaço será atualizado caso haja resposta.
Detalhes sobre Dark Horse
"Dark Horse" é uma cinebiografia que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O longa é estrelado por Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. O ator americano de 57 anos é mais conhecido por "A paixão de Cristo" (2004) e por ter participado de filmes mais conservadores nos últimos anos, como "Som da liberdade" (2023).
Na direção está Cyrus Nowrasteh, um cineasta americano de 69 anos de filmes para a TV, como "Depois do atentado", e para o cinema, como "O apedrejamento de Soraya M.". Ele já esteve envolvido em uma coprodução entre Estados Unidos e Brasil ao escrever o roteiro de "Jenipapo" (1995) com a diretora Monique Gardenberg.
Dark Horse não tem pedido de registro para lançamento no Brasil
Ele assina o roteiro de "Dark Horse" com Mark Nowrasteh, baseado em argumento escrito por Mario Frias, ator e ex-secretário da Cultura durante o governo de Bolsonaro.
O elenco ainda tem Esai Morales ("Missão: Impossível - O Acerto Final"), Lynn Collins ("The Walking Dead"), Camille Guaty ("Duster") como Michelle Bolsonaro e Jeffrey Vincent Parise ("General Hospital").
Em 7 de abril, Caviezel publicou no Instagram que o filme estreia em 11 de setembro de 2026, uma sexta-feira. No Brasil, filmes normalmente estreiam às quintas.
O Deadline, no entanto, publicou em 21 de abril que não há data de lançamento, "ao contrário de algumas especulações online", e que os cineastas ainda procuram vender o projeto.
A relação de Dark Horse com Daniel Vorcaro
A ponte entre o dinheiro de Vorcaro e a produtora de ‘Dark Horse’
O banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar a cinebiografia "Dark Horse" e as negociações envolveram contatos diretos com o filho do ex-presidente, o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pressionava pelos pagamentos.
Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.
As informações foram reveladas maio pelo portal Intercept Brasil, que teve acesso a mensagens trocadas entre os dois e a um áudio enviado por Flávio para o banqueiro em setembro de 2025.
Confira a nota completa da Ancine abaixo:
A ANCINE esclarece sobre a existência de processo administrativo em desfavor da empresa Go Up Entertainment, tendo em vista a apresentação de denúncia dando conta da produção, em território brasileiro, de obra audiovisual estrangeira sem a prévia comunicação à Agência.
Nos casos de obras estrangeiras filmadas no Brasil, é preciso que a ANCINE seja comunicada. Situação que não ocorreu no caso do filme “Dark Horse”.
Após duas tentativas frustradas de contato com a produtora para esclarecimentos, houve a lavratura do auto de infração, abrindo-se prazo para defesa e apresentação de recursos.
Por se tratar de processo em curso, a ANCINE não antecipa conclusões sobre o mérito do mesmo. Os resultados da apuração serão divulgados publicamente assim que concluídos (os processos sancionadores são de acesso restrito) e, se identificadas irregularidades, a ANCINE adotará as medidas cabíveis previstas em lei.
A Agência reafirma seu compromisso com a transparência e com a regularidade do setor audiovisual brasileiro.




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